quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

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Grande Sertão Espírita

Graças a indicação preciosa do companheiro Túlio Villaça, ator e músico espírita do Rio de Janeiro, chegamos a mais um ponto de convergência notável entre espiritismo e arte. Dessa vez, nos debruçamos sobre a vida e a obra de Guimarães Rosa. Para descobrir uma série de declarações e passagens curiosas, que revelam a influência espírita marcante na história desse escritor mineiro.

Vejamos o resultado de pesquisa feita pela equipe do Centro Espírita Léon Denis, compilada na Apostila do 10º Seminário Espírita sobre Literatura e Espiritismo:

Em sua coluna do jornal “O Estado de Minas” de 26 de novembro de 1967, [Guimarães Rosa] confessou que “suas histórias lhe chegavam por vias supranormais.”

Citou como alguns contos e novelas eram escritos. A Buriti, de
Noites do Sertão, escrita em 1948, veio quase completa num sonho, duas noites seguidas.

Em carta ao escritor João Condé, publicada como um dos prefácios de Sagarana, João Guimarães Rosa afirma a respeito da criação do conto Carro de bois: “Aqui, houve fenômeno interessante, o único caso, neste livro, de mediunismo puro. Eu planejara escrever um conto de carro-de-bois com o carro, os bois, o guia e o carreiro. Penosamente, urdi o enredo, e, um sábado, fui dormir contente, disposto a pôr em caderno, no domingo, a história (nº. 1). Mas, no domingo, caiu-me do ou no crânio, prontinha, espécie de Minerva, outra história (nº. 2) – também com carro, bois, carreiro e guia – totalmente diferente da da véspera. Não hesitei: escrevi-a, logo, e me esqueci da outra, da anterior.

Em 1945, sofreu grandes retoques, mas nada recebeu da versão pré-histórica, que fora definitivamente sacrificada.” O autor, na mesma coluna anteriormente citada, publica informações sobre um romance inacabado, intitulado A Fazendeira de Velas, história acontecida no final do século dezenove num sobrado em que cada canto foi imaginado, minuciosamente, numa antiga cidade mineira. A personagem era solitária, sofrida e vivida pelo narrador. Transcreveremos aqui suas próprias palavras: “Mas foi acontecendo que a exposição se aprofundasse, triste, contra meu entusiasmo. A personagem, ainda enferma, falava de sua doença grave. Inconjurável, quase cósmica, ia-se essa tristeza passando para mim, me permeava. Tirei-me de sério medo. Larguei essa ficção de lado. O que do livro havia, e o que a ele se referia, trouxe-me em gaveta.

Mas as coisas impalpáveis andavam já em movimento. Daí a meses, ano-e-meio, ano - adoeci, e a doença imitava, ponto por ponto a do narrador! Então? Más coincidências destas calam-se com cuidado, em claro não se comentam. Outro tempo após, tive de ir, por acaso, a uma casa – onde a sala seria, sem toque ou retoque, a do romanceado sobrado, que da imaginação eu tirara e decorara, visualizado freqüentando-a por ofício. Sei quais foram, céus, meu choque e susto. Tudo isso é verdade. Dobremos de silêncio”

E é claro que todas essas experiências não poderiam deixar de ter um reflexo mais concreto na produção literária de Guimarães Rosa. Algo que pode ser percebido com clareza no clássico Grande Sertão: Veredas. Em especial, no que se refere ao personagem Compadre Quelemém, médium, espírita e conselheiro do protagonista da trama, o cangaceiro Riobaldo. No link abaixo, o lado espírita do Grande Sertão!

http://espiritodearte.blogspot.com/2009/01/contedo-extra.html

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